Nutrição macro-vegetariana & estilo de vida holístico

A Menopausa Precoce e o (Re)Encontro com a minha Essência Feminina

A Menopausa Precoce e o (Re)Encontro com a minha Essência Feminina

Há onze anos atrás quando fui confrontada com o diagnóstico de menopausa, com apenas 31 anos, e numa época em que me preparava para ser mãe, já a tomar aqueles suplementos típicos quando se prepara para uma gravidez, senti como se a vida me tivesse passado uma rasteira e eu literalmente fui ao chão… senti o mundo a desabar sobre mim… senti-me a mulher mais infeliz do mundo, um vazio interior inexplicável e uma não-vontade de viver igualmente inexplicável… até aquele dia nunca sequer tinha imaginado ser possível não ser mãe!

Como assim?!… Não ser mãe?!… Mas… esse é o meu maior sonho! Esse é o sonho! O sonho de uma vida! O que fiz de errado para me roubarem esse sonho?!

 

A REVOLTA

Durante anos vivi inconformada…  acreditava que lá no fundo havia um erro diagnóstico, que as coisas não eram bem assim e a busca por umas palavras de esperança tornou-se quase obsessiva… perdi a conta aos médicos que percorri para pedir um “segunda opinião” e todas eram iguais: “Pois Sílvia… não se explica, de facto… mas a verdade é que as análises comprovam a sua infertilidade, está mesmo na menopausa…”

Pelo meio andei em consultas de infertilidade, fiz tratamentos hormonais, mas… nada… acabei por ter alta da consulta… lembro-me perfeitamente desse dia, a sair do Hospital de Gaia, não conseguia conter as lágrimas a passar a sala de espera, a fazer o pagamento, a caminho do parque de estacionamento… a dor era dilacerante! Sei que para muitas pessoas, e eu mesma agora vejo as coisas assim, não é caso para tanto, há coisas piores como a infertilidade por remoção do útero ou doenças graves, enfim, o cenário pode ser sempre pior, é verdade! Mas naquele momento eu fiquei de luto… O meu maior sonho tinha morrido!

 

“A morte de um sonho é tão triste como a própria morte, merece por isso o luto e o respeito por aqueles que a sofrem.”

Truman Capote

 

Claro que há sempre a possibilidade de adoção, de fertilização por doação de ovulos, mas essas são outras questões e neste post eu falo apenas de infertilidade por menopausa precoce e como um mal acabou por vir por bem  🙂 

Durante os anos que se seguiram, não bastava ter que lidar emocionalmente com a ausência de menstruação, mês após mês, começaram também a chegar os calores, os afrontamentos, as mudanças de humor, o sentimento “António Variações” (estou bem onde não estou, quero ir onde não vou) eheheheh, o constante estado de fadiga, acordar cansada, a vontade de nada fazer, deixar os bordados de lado (algo que eu amo fazer!)… enfim, eu não me reconhecia! Eu sabia que não estava bem, mas ninguém me sabia ajudar! E a verdade é que eu própria não queria tomar químicos portanto lá fui levando o barco na tentativa de chegar a bom porto…

 

Link da Imagem: Pinterest

 

 

 

Mensagem às amigas grávidas e a quem luta por uma gravidez ♥

Durante o meu processo de não-aceitação e revolta da minha menopausa precoce, no auge do meu arquétipo de mãe, as minhas amigas estavam também nesse arquétipo, pois as nossas idades eram próximas, e claro, aos poucos, foram engravidando… até mesmo as que sofriam de infertilidade, ao longo destes anos, todas sem exceção conseguiram! E principalmente com essas, o momento da notícia foi particularmente emocionante, pois sabendo do meu problema, acompanhei-as e sempre lhes dei força e fé para acreditarem que iam conseguir! 

É natural que sendo minhas amigas e sabendo da minha situação, eu percebia que ficavam sem jeito ao dar-me a notícia! E sim, cá dentro vive-se um misto de alegria por aquela nossa amiga viver o seu sonho com um sentimento de tristeza por não termos a mesma benção…

Se querem um conselho, amigas grávidas, o ideal é nem dizerem nada acerca do que a vossa amiga possa estar a sentir, porque elas sabem que vocês sabem o que lhes vai na alma e garanto-vos que apesar de tudo ela está profundamente feliz pela vossa gravidez, acreditem!

“Onde está o teu foco, é para lá que vai a tua energia!”, por isso, o melhor é não tocar em feridas e canalizar o foco para algo que faça felizes a ambas: a gravidez e o bebé!

Porque não dizer: “Quero muito que estejas comigo durante toda a minha gravidez”…♥

Link para a imagem: Pinterest

 

Porque sabem… já que não conseguimos ter filhos, pelo menos sentimos que as nossas amigas fazem questão que estejamos pertinho delas e dos seus bebés! E posso dizer-vos por experiência própria, que estar com os bebés das nossas amigas, é uma sensação divina que nos faz esquecer toda a dor de não ser mãe. Porque quando alimentamos o nosso coração com amor, os sentimentos que nos magoam tendem a ficar adormecidos… E é tão bom sentir os nossos corações a bater mais forte só porque estamos pertinho de um bebé… a energia que um bebé emana é tão doce, tão leve, que é uma bênção tanto para ti, amiga grávida ou recém-mamã, como para a tua amiga que luta por uma gravidez.

 

 

O RENASCER

O meu desequilíbrio interior provocado pela aquela dor, levou-me a procurar ajuda nas terapias holísticas… comecei pelo reiki e a ele estarei eternamente grata por me ter aberto as portas para o mundo das energias, como lhe chamam… para mim, o mundo das energias, das terapias holísticas, alternativas, naturais, o que for, é tão-somente o mundo que nos abre a porta ao conhecimento interior, ao contacto com o nosso lado sombra e o nosso lado luz.

Primeiro o Reiki, depois o Yoga, seguido do vegetarianismo, a alimentação macrobiótica, o mindfulness, a meditação… todas, sem excepção, são práticas, filosofias de vida que me deram a mão ao longo da minha caminhada e a todas devo um pouco desta paz interior que consigo alcançar hoje em dia, de uma forma mais ou menos constante.

a menopausa e eu

O crescimento e a descoberta são intermináveis, todos os dias aprendo algo com as pessoas que me rodeiam, que observo, que converso e muitas vezes tão-somente estando sozinha comigo mesma.

O segredo, digo eu, é estarmos atentas… evitar ao máximo ligar o piloto automático, ligar o julgamento, tanto aos outros, como a nós mesmas, porque quando estamos atentas, mais do que com o que se passa à nossa volta, começamos a olhar para dentro de nós e a perceber que o poder para viver com paz interior, em aceitação, amor e compaixão, esse poder está dentro de nós… E acima de tudo, percebemos que nós somos as únicas responsáveis pelo estado de espírito que nos encontramos…

 

O (Re)Encontro com a minha Essência de Mulher ♥

Ao longo deste Caminho de desenvolvimento pessoal, descoberta interior, no meu trabalho holístico como Iridologista e busca de conhecimento nas terapias naturais, fui tendo cada vez mais certezas que a minha menopausa precoce tinha uma mensagem para mim… havia um propósito para tudo isto…

E essa mensagem chegou no ano passado, quando conheci a Sara Castanheira e o seu projecto de Cura da Energia Feminina →Renascer Feminino

Mergulhei de cabeça numa formação de 5 meses para facilitadora do Renascer Feminino, em todas as suas vertentes, círculo de mulheres e cura individual da mulher, sem saber muito bem para o que ia, a única coisa que eu sentia é que ali eu ia perceber o porquê de tudo o que me tinha acontecido.

Já não se tratava de querer ser mãe, porque nesta fase eu já nem sabia muito bem se o queria ser, pois encontrava-me tão de bem com a vida, que não precisava de mais nada.

Gostei do nome “Renascer Feminino” e se querem saber, li o programa na diagonal, nem sequer tinha percebido que aquele curso me permitiria facilitar círculos ou fazer consultas / terapias individuais com mulheres. Para mim ler que aquela formação me permitiria renascer enquanto mulher, foi tudo o que precisei saber.

Podem ler mais sobre o Renascer Feminino aqui → O meu caminho no Renascer Feminino

Durante o curso, em cada encontro mensal, pude perceber o quanto tinha para resgatar enquanto mulher, o aceitar que sermos mulheres é sermos cíclicas, correspondermos a determinados arquétipos ao longo de um mês (ciclo) , que até a própria lua nos ajuda a perceber se hoje estamos num dia bom, num dia excelente, num dia menos bom ou num dia em que só queremos estar longe de tudo e de todos…

Até aqui ,confesso que nunca tinha ouvido falar de círculos de mulheres (e se tivesse ouvido de certeza que ia achar que eram coisas ligadas a rituais de bruxaria ahahahahah), nunca liguei nenhuma à lua e nunca tomei consciência que os métodos contracetivos são químicos, substâncias e afins que só nos desconectam da nossa verdadeira natureza feminina e acabam por ser prejudiciais à nossa saúde. Aprendi que existem métodos naturais contraceptivos e que não nada melhor como conhecermos verdadeiramente o nosso ciclo para sabermos se estamos ou não férteis. Aprendi também que é na partilha destas experiências entre mulheres, os métodos que usam e a sua eficácia, que enriqueço o meu conhecimento acerca de ginecologia natural e que apesar de não o poder aplicar em mim, posso levá-lo a outras mulheres para que potenciam a sua energia feminina e quem sabe, evitar problemas futuros de infertilidade. 

Tivesse eu tido este conhecimento nos meus 20 / 30 anos e muito provavelmente hoje teria uma “porrada” de filhos… ou…  não! Tudo é como tem que ser!

A verdade é que foi a minha menopausa precoce que me fez chegar à Sara Castanheira e consequentemente ao Renascer Feminino e foi, com esta formação, com este conhecimento de que com menopausa ou não, útero físico ou não, nós somos mulheres sempre! E temos uma natureza feminina que nos conecta à Lua, à Mãe Terra, também elas com energia feminina… e essa conexão, toda esta sabedoria milenar, nos faz ser cada vez mais AMOR ♥

Há tanto, tanto para dizer sobre a energia feminina!

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Como a podemos potenciar, como podemos conhecer-nos melhor, diminuir os desconfortos da menopausa e tensão pré menstrual, de forma natural, aceitar que não somos constantes ao longo de um mês, entender isso e fazer entendê-lo a quem nos rodeia, aceitar a nossa essência e honrá-la, ajudar as mulheres a conectarem-se com os seus centros de poder, ajudá-las a resgatar a sua auto-confiança e poder pessoal… e tudo isto é a minha missão! A minha vontade! O que faz o meu coração vibrar! Levar a minha história a outras mulheres como forma de as fazer relembrar a Mulher Divina que são! 

Mulher Divina sim… assim como o homem é igualmente divino, pois todos somos luz, como sempre digo. Mas aqui eu dirijo-me às mulheres, que são a fonte de criação! São elas que têm esse poder de gerar, cuidar, nutrir … e isso é uma bênção! Uma dádiva divina!

Por isso queridas mulheres que me lêem, e queridos homens também, pois esta mensagem é para todos!

Vamos acordar e perceber que a Natureza Humana é Divina, não a vamos aniquilar vivendo em piloto automático, desconectadas e resignadas a aceitar unicamente que temos um ovulo, que todos os meses é libertado, ou impedido de o fazer com químicos que tanto mal nos fazem, e pronto, é apenas isso…

Vamos levar às jovens adolescentes a consciência de que ser mulher é honrar a sua menstruação, respeitar o seu ciclo menstrual, a sacralidade do seu útero, do seu corpo,  perceber que é normal quererem ficar mais resguardadas, não terem tanta vontade de sair ou conversar em determinadas alturas do mês, e levar esta consciência aos seus pais, para que também eles respeitem a mulher interna das suas filhas… e o exemplo parte sempre dos mais velhos, de nós como mães, tias, madrinhas, amigas das mães, professoras…

Nos círculos de renascer feminino é sobre estes assuntos e temas específicos a cada mês que falamos, em união, compreensão e aceitação, não há hierarquias, todas fazemos um processo de aprendizagem e desenvolvimento interior umas com as outras.

Somos espelhos umas das outras e é isso que é absolutamente mágico.

Quando abrimos o nosso coração, libertamos feridas, mágoas, vulnerabilizamos-mos e renascemos…

Acabei de o fazer e sinto-me leve e feliz.

 

Namastê

 

 

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